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Néctar das palavras

Fogem-me as horas por entre penhascos de pensamentos inférteis, já não pertenço aqui. O rio segue sem parar colhendo os sorrisos mais bonitos, o meu ficou cansado, mantenho-o agarrado nas pontas à lua para que não se desmanche. Está tudo menos brilhante, mas mais claro e sereno. A época de ventos, fustigante, deu lugar a uma acalmia pegajosa de palavras de cortesia. Ainda ouço o eco dos gritos que se soltaram de mim quando me sentia fera, selvagem, sem dono, sem destino. Cortei as garras, coloquei um açaimo no meu rosto e uma coleira a dizer o meu nome. Agora já sabem quem eu sou, domestiquei-me sem piedade, foi o castigo que encontrei para me punir por actos infames a que me prestei. Sei agora qual o meu destino, a morte das palavras, a morte dos sentimentos, passarei apenas a partilhar as folhas de papel em branco com quem me acolher e, com pena, me colocar uma trela, para que o meu instinto não se solte, outra vez.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/j-no-perteno-aqui.html

Trago nas mãos cestas feitas de melodias alegres de crianças. Cheiram a sorrisos encantados pelo bem estar que a vida lhes traz. Alguns crescidos não aceitam nem acreditam nos sonhos que lhes saltam dos olhares. Eu, recolho-os um a um e carrego-os nas cestas. Escorrem-me olhares para os sonhos que trago nas mãos e retiro-me em silêncio e em prece para que se concretizem.

Às vezes vale a pena esquecer o futuro que prevejo e sorrir. Nem que seja por pouco tempo.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/escorrem-me-olhares-para-os-sonhos-que.html


Um poema de amor - 17Jul2008
Serei a tua frase completa
aquela em que deitas o teu olhar.
Serei o teu horizonte distante
onde mergulhas
despido da vida, para me amar.

Serás o livro que me acha,
que à noite,
me acompanha na cama.
Serás o poema que chora
e entre verbos intensos
ainda diz que me ama.

Serei o teu vinho
que bebes com alma,
a luz que te adormece,
o silêncio que te acalma.

Serás a lágrima que escorre
na minha face perdida,
a lua que à noite me guarda,
o sol que anseia a minha pele despida.





Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/um-poema-de-amor.html

Poema Enfeitiçado - 14Jul2008
Um poema Infantil... porque não?



Tica ti pica ti pó
Traz a peúga da avó
Mete na panela a ferver
Traz a colher e toca a mexer

Tica ti pica ti péu
Tira a pena do chapéu
Corta uma asa ao morcego
Fá-lo rápido e sem medo

Pernas de sapo
Olhos de rã
Sola de sapato
Ramo de hortelã
Duas chávenas de riso
Cortadas às gargalhadas
Três doses de juízo
Retirado às 12 badaladas

Tica ti pica ti pão
Falta meteres o sabão
Para o feitiço borbulhar
E fazer o poema encantar



Dedico-o à Catarina, Filipe, Samuel e Orlandito


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/poema-enfeitiado.html

Um pedaço de poema - 04Jul2008
Deixo-te
um pedaço de poema
para levares contigo,
inacabado, louco.

Deixo-te
O resto de um sonho,
de um momento
incompleto, do meu corpo.

Deixo-te
parte de um suspiro,
de um grito de delírio,
em tom de poema,
arfando de desejo.

Deixo-te
um pedaço meu
para moldares o restante
e em transe de poeta fiel
escreveres o pedaço que falta
numa folha de papel...


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/um-pedao-de-poema.html

Trago ventanias no meu peito
enclausuradas, inquietas?

Sinto-as em delírios, em ganas
de verem a luz do sol e partirem.

Esvoaçam à minha volta
pétalas de desejos crispados da espera.

Rodopiam em furacão as fantasias loucas,insanas,
que tentam chegar ao teu corpo.

Contorno o silêncio de um poema gritante
de asas agitadas e garganta sufocada de palavras.

Bebo o néctar dos sussurros, dos murmúrios,
dos pensamentos das almas que se escondem.

Não encontro quem oiça.
Não encontro quem leia.
Os olhos flutuam em lágrimas tuas.

As ventanias aquietam-se, mas eu?rebento?

Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/06/tempestade-de-emoes.html