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P: Beata. Néctar das palavras
Aguardo-te - 07Out2008
Sempre te escrevo, sempre te entrego palavras que adormecem ao vento. Talvez algumas te beijem na madrugada dos teus lábios e outras te abracem com o orvalhar dos teus olhos. Não te chego, não te toco, por vezes não sei se existo em ti. Sei que hoje encontrei o mar que ouviu o silêncio de nós dois e a duna que guarda um segredo com asas, num céu aberto e proibido. Ambos se encontravam lá, tal como eu, a pensar em ti. Em breve estarei no teu olhar e tu de mãos dadas com o meu sorriso. Não sei se escorregaremos em lençóis de silêncios ou se nos tentaremos a mergulhar neste mar que nos rodeia. Aguardo-te com o desejo de te voltar a ter em mim. Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/aguardo-te.html apenas eu - 02Out2008
Vejo videiras acabadas de parir, libertas dos frutos maduros, estão cansadas. Vejo o rio que corre lento formando ilhas de areia onde o homem pesca à cana. Estendo o meu olhar pela Lezíria Ribatejana sentada às Portas do Sol. Respiro um passado, revejo o presente e sinto-te em mim. Deixo que a brisa que corre quente me abrace, me aconchegue os pensamentos. São tantas as dúvidas, as emoções, a ansiedade. Outrora foste o meu sonho, eras o meu futuro destinado e planeado, hoje voltei e a vontade de ficar assusta-me. Agora, tenho de me dividir, de me achar e de me perder em terras longínquas. Por vezes acordo no sítio errado, outras, em pleno sonho. Gostava tanto de ser outra e mais outra se pudesse. É tanta a vida por viver que não chega para uma pessoa só. São tantas as emoções perdidas por falta de um tempo que nunca temos. Beijo-te e descanso nos teus braços porque aqui e agora, sou apenas eu. Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/apenas-eu.html Dói-me... - 27Set2008
Ah! Se eu pudesse
arrancar os olhos, apagar o brilho e a luz que tanto me incomodam. As letras baralham-se à minha frente. Já não sei se dizes que me amas ou, floridamente, que não me queres. Dói-me o peso de te amar. Dói-me a saudade de te ter. Dói-me o silêncio, a distância ?o poema? Apaguem as luzes, façam silêncio, porque eu só quero morrer. Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/di-me.html Às vezes... - 27Set2008
Às vezes gostava de ser nada, ser apenas ninguém. Daqueles que se passeiam no jardim sem saberem o nome. Às vezes gostava de não sentir o ar, de não ver o sorriso ou simplesmente não falar. O mundo está para ser calado, enquanto o meu corpo só pede para gritar. As minhas mãos serram as ganas de um presente mascarado, de um ódio embriagado com vinho adocicado por palavras infiéis. A ferida dói, dói muito, magoa o sentimento que cresce em ninho salgado. De qualquer modo trouxe um saco, onde guardo tudo e sorrio. Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/s-vezes.html O voar de um pensamento - 27Set2008
Embrulhei o sol numa folha com malmequeres brancos, estes, alegres, sorriram e tornaram-se apetecíveis às abelhas que transportam as ideias de cada flor. Levaram as palavras douradas e quentes para a colmeia em forma de poema. Inchadas, mostraram os seus dotes de escrever em versos misturando mel e silêncio em mais uma viagem, em mais um voo de regresso. Talvez seja este o tempo do pensamento, o voar das palavras do peito ao papel, ou o cozinhar de ideias em colmeias feitas de imagens e sentimentos.O bolso está cheio de frases quentes e insanas, a mente, de imagens de ventos vermelhos de outras terras. Trago um poema no olhar, uma planície verdejante e um campo de girassóis. A música faz-se no sentido do voo, no bater das asas dos pensamentos ou do toque das mãos. Tudo encaixa no sabor de cada pétala, de cada lágrima de cada céu. Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/o-voar-de-um-pensamento.html Porque vais? - 10Set2008
Porque vais? Deixa-te ficar mais um pouco, não te apresses? A vida tem as formas que quiseres, os caminhos, as curvas que lhes adivinhares. Faz do silêncio uma ponte para chegares ao peito de quem está longe e em silêncio também. Deixa-te estar? Cruza o teu olhar com o meu e sente o arrepiar dos sentidos na proibição de parares o teu corpo no meu. Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/porque-vais.html Embrulhei um sonho meu numa garrafa de vidro - 10Set2008
Há muito que te sonhei, branco, fresco, aromático de castas nobres da região. Colhi-te com mãos de seda e transportei-te no regaço, com o calor de um peito ansioso. Os pés massajaram-te o corpo com cuidado, depois, colhi as lágrimas que deitaste, de alegria, ao veres o mosto saudável em que te tinhas transformado. Para ficares mais bonito, passei-te pelo frio que te conservou durante a árdua tarefa da fermentação. Tornaste-te vinho, agora, precisavas de uma casa de madeira, pensei, ofereci-te uma de carvalho?nova, linda? Deixei-te gozar um tempo de estágio e por fim engarrafei-te em garrafas brancas para que te vejam a cor, para cresceres e um dia fazeres parte de uma refeição de sonho à minha mesa. Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/embrulhei-um-sonho-meu-numa-garrafa-de.html | ||||||
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