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Néctar das palavras

Prova-me... - 2008-09-26 03:49
Com as tuas mãos
embalas-me em tambuladeira de prata.

Deixas-me lamber-te os lábios suavemente.

Provas-me.

Sorves-me.

Tomas o gosto do meu corpo.

Enches a tua boca com o meu aroma
e deixas-me escorregar
ateando o fogo dentro de ti.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/11/prova-me.html


Trago a tua imagem
no meu horizonte,
negra,
triste.

Trago a tua voz
dentro de mim,
trémula,
silenciosa.

Trago a tua lágrima
nos meus olhos,
que cai,
como um pedaço de alma.

Mas é no peito que trago a tua dor,
porque é no meu peito que te guardo.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/11/trago-tua-dor-dentro-do-meu-peito.html

A minha sombra e eu - 2008-09-26 03:49
Sigo agora a minha sombra,
já não consigo acompanhá-la,
as minhas pernas tornaram-se lentas.
O meu pensar fica constantemente
agarrado às árvores, esperando
que algo não aconteça e que possa descansar.
Trepo às paredes da minha alma
tentando encontrar o que fui,
tentando entender porque já não o sou.
Tudo se enrola no olhar de cada pássaro.
Tudo esvoaça de encontro ao suspiro
que retenho e que morre abafado,
aos poucos?

Depois, quando a sombra se afasta
rastejo até ela tentando apanhá-la,
por vezes não consigo?


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/11/minha-sombra-e-eu.html

Intervalo de incerteza - 2008-09-26 03:49
Escolhi-te
como método normalizado
para avaliares meu coração.
Após verificações intensas
de sentimentos profundos
validei o método,
mesmo sabendo,
que o intervalo de incerteza
é grande.
Deixarei, por isso, de calcular
o desvio do teu amor
para que não me sinta perdida
para sempre?
?sem qualquer acreditação?


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/11/intervalo-de-incerteza.html

Beijo suave - 2008-09-26 03:49
Escorre-me pela face
o teu beijo.

Procura o ponto
de chegada.

Cega-me os lábios
de desejo.

Aninhados na espera,
enfeitiçada.

Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/11/beijo-suave.html

Noite Mágica - 2008-09-26 03:49
Por vezes, refresco-me
nas lágrimas das estrelas
que caiem em dança
na escuridão do momento
pela ausência da lua.

Ofereço-te
o que trago nas mãos,
nada mais que o brilho
que se soltou dos meus olhos,
nada mais que letras abandonadas
que foram paridas sem alma.

Noite mágica
que me encantas com o assobiar
de um vento sereno e quente,
que me elevas ao ser
que tanto abafo dentro de mim.

Serás tu
a companheira de uma vida,
que se encosta e me embala,
até o dia amanhecer?


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/noite-mgica.html

Parece que é desta! - 2008-09-26 03:49



Queridos amigos

Parece que desta é de vez, já tem nome, capa e alma (ainda falta o corpo).

Apresento-vos o meu primeiro livro, chama-se ?Brisas do Mar? e vai nascer em Novembro, editado pela Edium Editores.

Quero agradecer, desde já, ao meu amigo António Paiva que escreveu o prefácio e vai apresentar a obra e à minha mãe Helena Paz por ter desenhado e pintado a capa do livro.

Para quem quiser partilhar estes momentos comigo, ficam aqui duas datas a marcar na agenda:


Pré - Lançamento
Dia 21 de Novembro
Escola Superior Agrária de Santarém em Santarém
Às 21 horas no Auditório da Escola


Lançamento
Dia 23 de Novembro
Museu do Vinho da Bairrada em Anadia
Às 15 horas no Auditório do Museu
Abraço e Obrigada


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/parece-que-desta.html

Um momento só nosso - 2008-09-26 03:49

Tuas mãos
teceram o invólucro
onde me detenho.

Vislumbro-te
através desta seda
que me envolve.

Chamo-te baixinho,
peço-te que me libertes.

E tu vens
deixando-me esvoaçar
em redor desse teu corpo
cúpido de nós.

Recolho as asas
e beijo-te em silêncio.

Longa é a viagem
que percorremos
até nos acharmos
neste caminho de perdição.

Mas nesse momento,
no momento do sugar
dos néctares,
amamo-nos em sinfonia
de vozes ansiosas e roucas
até ao estremecer dos corpos.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/um-momento-s-nosso.html

Hora de renascer - 2008-09-26 03:49

Mereces que te cante o cheiro das rosas, que te encante quando liberto a vela do meu corpo. Sou o navio de palavras onde navegas embriagado pelo ondular do mar dos meus olhos. Mereces a lua com brincos de estrelas, o rio quente pelos raios do sol da minha manhã. Sopro-te a águia, voará ao teu encontro onde te entregará a madrugada do meu peito. Receberás os azuis do meu céu, o calor das minhas mãos que te escrevem no silêncio do teu abraço.
Abre a tua janela, aquela virada a norte, onde recebes o cheiro do meu desejo que te atraiçoa nas noites de Outono. Ofereceste-me a morada da tua sombra, entregaste-me a chave do quarto onde me encontro com as tuas ilusões, noites e noites sem fim. Tu sabes que fui sempre, sentes no sabor de um toque de dedos que em poema se conheceram. Tens-me no sal dos teus lábios, no brilho to teu sorriso, na terra fértil da tua memória. Morro e renasço nos teus sentidos, agora, é hora de renascer?


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/hora-de-renascer.html


Chegam-se ventos raivosos que rasgam a alma das árvores levando os espíritos que se soltam dos troncos mais fortes. Cega-se o mar revolto varrendo a pobreza que escorre das terras longínquas. O céu abre-se ao meio e solta-se caindo nas mentes perversas do Homem. Apaga-se o sol com o fechar dos olhos das crianças com cheiro a morte. A lua esfomeada come as estrelas enquanto o fogo incendeia a madrugada.

Existe um grito à espera do seu momento.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/existe-um-grito-espera-do-seu-momento.html

Aguardo-te - 2008-09-26 03:49

Sempre te escrevo,
sempre te entrego palavras
que adormecem ao vento.
Talvez algumas te beijem
na madrugada dos teus lábios
e outras te abracem
com o orvalhar dos teus olhos.

Não te chego, não te toco,
por vezes não sei se existo em ti.

Sei
que hoje encontrei o mar
que ouviu o silêncio de nós dois
e a duna que guarda
um segredo com asas,
num céu aberto e proibido.
Ambos se encontravam lá,
tal como eu, a pensar em ti.

Em breve estarei no teu olhar
e tu de mãos dadas com o meu sorriso.

Não sei se escorregaremos
em lençóis de silêncios
ou se nos tentaremos a mergulhar
neste mar que nos rodeia.

Aguardo-te
com o desejo de te voltar a ter em mim.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/aguardo-te.html

apenas eu - 2008-09-26 03:49
Vejo videiras acabadas de parir, libertas dos frutos maduros, estão cansadas. Vejo o rio que corre lento formando ilhas de areia onde o homem pesca à cana. Estendo o meu olhar pela Lezíria Ribatejana sentada às Portas do Sol. Respiro um passado, revejo o presente e sinto-te em mim. Deixo que a brisa que corre quente me abrace, me aconchegue os pensamentos. São tantas as dúvidas, as emoções, a ansiedade. Outrora foste o meu sonho, eras o meu futuro destinado e planeado, hoje voltei e a vontade de ficar assusta-me. Agora, tenho de me dividir, de me achar e de me perder em terras longínquas. Por vezes acordo no sítio errado, outras, em pleno sonho. Gostava tanto de ser outra e mais outra se pudesse. É tanta a vida por viver que não chega para uma pessoa só. São tantas as emoções perdidas por falta de um tempo que nunca temos. Beijo-te e descanso nos teus braços porque aqui e agora, sou apenas eu.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/10/apenas-eu.html

Dói-me... - 2008-09-26 03:49

Ah! Se eu pudesse
arrancar os olhos,
apagar o brilho e a luz
que tanto me incomodam.

As letras
baralham-se à minha frente.
Já não sei
se dizes que me amas
ou, floridamente, que não me queres.

Dói-me o peso de te amar.
Dói-me a saudade de te ter.

Dói-me o silêncio, a distância
?o poema?

Apaguem as luzes,
façam silêncio,
porque eu só quero morrer.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/di-me.html

Às vezes... - 2008-09-26 03:49
Às vezes gostava de ser nada, ser apenas ninguém. Daqueles que se passeiam no jardim sem saberem o nome. Às vezes gostava de não sentir o ar, de não ver o sorriso ou simplesmente não falar. O mundo está para ser calado, enquanto o meu corpo só pede para gritar. As minhas mãos serram as ganas de um presente mascarado, de um ódio embriagado com vinho adocicado por palavras infiéis. A ferida dói, dói muito, magoa o sentimento que cresce em ninho salgado. De qualquer modo trouxe um saco, onde guardo tudo e sorrio.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/s-vezes.html

O voar de um pensamento - 2008-09-26 03:49
Embrulhei o sol numa folha com malmequeres brancos, estes, alegres, sorriram e tornaram-se apetecíveis às abelhas que transportam as ideias de cada flor. Levaram as palavras douradas e quentes para a colmeia em forma de poema. Inchadas, mostraram os seus dotes de escrever em versos misturando mel e silêncio em mais uma viagem, em mais um voo de regresso. Talvez seja este o tempo do pensamento, o voar das palavras do peito ao papel, ou o cozinhar de ideias em colmeias feitas de imagens e sentimentos.O bolso está cheio de frases quentes e insanas, a mente, de imagens de ventos vermelhos de outras terras. Trago um poema no olhar, uma planície verdejante e um campo de girassóis. A música faz-se no sentido do voo, no bater das asas dos pensamentos ou do toque das mãos. Tudo encaixa no sabor de cada pétala, de cada lágrima de cada céu.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/o-voar-de-um-pensamento.html

Há muito que te sonhei, tinto, fresco, aromático de castas nobres da região. Colhi-te com mãos de seda e transportei-te no regaço, com o calor de um peito ansioso. Os pés massajaram-te o corpo com cuidado, depois, colhi as lágrimas que deitaste, de alegria, ao veres o mosto saudável em que te tinhas transformado. Para ficares mais bonito, passei-te pelo frio que te conservou durante a árdua tarefa da fermentação. Tornaste-te vinho, agora, precisavas de uma casa de madeira, pensei, ofereci-te uma de carvalho?nova, linda?
Deixei-te gozar um tempo de estágio e por fim engarrafei-te em garrafas brancas para que te vejam a cor, para cresceres e um dia fazeres parte de uma refeição de sonho à minha mesa.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/embrulhei-um-sonho-meu-numa-garrafa-de.html

Agora vem... - 2008-09-26 03:49

Foto tirada do Navio Museu Sto. André - Gafanha da Nazaré - Ilhavo


( porque a vida também é feita de alegria e boa disposição, deixo este poema ao meu amigo nilson barcelli por causa do seu comentário ao post anterior)



Agora vem...


Nesse barco
onde te encerras,
onde te trazem
em bebedeiras
de palavras,
onde te encharcas
de saudades de mim,
entrego-te a escotilha,
que te fará ultrapassar
a ilusão,
que te fará nadares
mares sem fim?
até aquela praia
onde me deixaste ao sol
e onde volto todos os dias
todas as noites
à espera de um sinal teu .

Agora vem?

A escotilha é grande?
?nada até mim?


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/agora-vem.html

Porque vais? - 2008-09-26 03:49





Porque vais?
Deixa-te ficar mais um pouco,
não te apresses?
A vida tem as formas que quiseres,
os caminhos,
as curvas que lhes adivinhares.
Faz do silêncio uma ponte
para chegares ao peito
de quem está longe e em silêncio também.
Deixa-te estar?
Cruza o teu olhar com o meu
e sente o arrepiar dos sentidos
na proibição de parares o teu corpo no meu.





Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/09/porque-vais.html

Delírio - 2008-09-26 03:49

Esgravato silêncios na penumbra da minha alma tentado chegar à sombra do meu olhar. Renasço suspiro em suspiro libertando-me de outras mortes, de outras faces. Segredo ao poema a cumplicidade de cada palavra para que não se afogue a mensagem. Soltam-se da palma da minha mão murmúrios de olhos inchados que se dissipam no orvalho de cada manhã.

Penso-te numa folha que se aninhou no meu regaço.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/08/delrio.html

Sorris - 2008-09-26 03:49
Sorris
como se o ar
te fizesse cócegas,
como se o céu
estivesse pintado
de vermelho.

A alma ainda cresce,
os sentimentos florescem
nos ramos verdes
da tua vida ainda tão pequena.

Vais mostrando ao mundo
que existes,
que te transformas em flor
de lindas pétalas
da cor do olhar dos teus olhos.


Daqui a pouco serás mulher
e não vais ter tempo de olhar o céu.


Para a minha amiguita Daniela


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/sorris.html

Resignação - 2008-09-26 03:49

Dá-se o degelo
na madrugada
dos meus olhos.

O corpo aquieta-se,
a alma sossega.

A resignação
impõe-se
a uma vida
que fere e magoa.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/resignao.html

Já não pertenço aqui - 2008-09-26 03:49
Fogem-me as horas por entre penhascos de pensamentos inférteis, já não pertenço aqui. O rio segue sem parar colhendo os sorrisos mais bonitos, o meu ficou cansado, mantenho-o agarrado nas pontas à lua para que não se desmanche. Está tudo menos brilhante, mas mais claro e sereno. A época de ventos, fustigante, deu lugar a uma acalmia pegajosa de palavras de cortesia. Ainda ouço o eco dos gritos que se soltaram de mim quando me sentia fera, selvagem, sem dono, sem destino. Cortei as garras, coloquei um açaimo no meu rosto e uma coleira a dizer o meu nome. Agora já sabem quem eu sou, domestiquei-me sem piedade, foi o castigo que encontrei para me punir por actos infames a que me prestei. Sei agora qual o meu destino, a morte das palavras, a morte dos sentimentos, passarei apenas a partilhar as folhas de papel em branco com quem me acolher e, com pena, me colocar uma trela, para que o meu instinto não se solte, outra vez.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/j-no-perteno-aqui.html

Trago nas mãos cestas feitas de melodias alegres de crianças. Cheiram a sorrisos encantados pelo bem estar que a vida lhes traz. Alguns crescidos não aceitam nem acreditam nos sonhos que lhes saltam dos olhares. Eu, recolho-os um a um e carrego-os nas cestas. Escorrem-me olhares para os sonhos que trago nas mãos e retiro-me em silêncio e em prece para que se concretizem.

Às vezes vale a pena esquecer o futuro que prevejo e sorrir. Nem que seja por pouco tempo.


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/escorrem-me-olhares-para-os-sonhos-que.html


Poema Enfeitiçado - 2008-09-26 03:49
Um poema Infantil... porque não?



Tica ti pica ti pó
Traz a peúga da avó
Mete na panela a ferver
Traz a colher e toca a mexer

Tica ti pica ti péu
Tira a pena do chapéu
Corta uma asa ao morcego
Fá-lo rápido e sem medo

Pernas de sapo
Olhos de rã
Sola de sapato
Ramo de hortelã
Duas chávenas de riso
Cortadas às gargalhadas
Três doses de juízo
Retirado às 12 badaladas

Tica ti pica ti pão
Falta meteres o sabão
Para o feitiço borbulhar
E fazer o poema encantar



Dedico-o à Catarina, Filipe, Samuel e Orlandito


Fonte: http://nectardaspalavras.blogspot.com/2008/07/poema-enfeitiado.html